{"id":1705,"date":"2017-09-19T16:13:08","date_gmt":"2017-09-19T19:13:08","guid":{"rendered":"http:\/\/sindicatodosbancarios.org.br\/?p=1705"},"modified":"2017-09-19T16:13:08","modified_gmt":"2017-09-19T19:13:08","slug":"informe-1682017-bancos-nas-maos-de-poucos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindicatodosbancarios.org.br\/site2022\/2017\/09\/19\/informe-1682017-bancos-nas-maos-de-poucos\/","title":{"rendered":"INFORME 168\/2017- BANCOS NAS M\u00c3OS DE POUCOS"},"content":{"rendered":"<p>5 institui\u00e7\u00f5es det\u00eam 4 de cada 5 reais movimentados, e isso \u00e9\u00a0ruim para clientes, dizem analistas.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea pensa em bancos no Brasil, normalmente apenas quatro ou cinco nomes v\u00eam \u00e0\u00a0cabe\u00e7a.\u00a0Ita\u00fa Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econ\u00f4mica Federal e Santander respondem, juntos,\u00a0por R$ 4 de cada R$ 5 movimentados no pa\u00eds. O R$ 1 restante \u00e9 dividido entre cerca de 150\u00a0institui\u00e7\u00f5es, que normalmente atuam em \u00e1reas espec\u00edficas, como financiamento de carro ou\u00a0empr\u00e9stimo para m\u00e9dias empresas.<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, que est\u00e1 no n\u00edvel mais alto da hist\u00f3ria, \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas quais as\u00a0fam\u00edlias e pequenas empresas t\u00eam dificuldade para conseguir empr\u00e9stimos, pagam taxas de juros\u00a0altas, contam com poucas op\u00e7\u00f5es de investimentos e pagam caro por servi\u00e7os banc\u00e1rios em geral,\u00a0dizem especialistas.<\/p>\n<p>O Banco Central considera que o pa\u00eds tem concentra\u00e7\u00e3o &#8220;moderada&#8221;, mas, para o FMI, o Brasil est\u00e1\u00a0acima da m\u00e9dia mundial. A Federa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Bancos (Febraban) diz que o predom\u00ednio de\u00a0poucas empresas \u00e9 resultado das regras mais r\u00edgidas, mas ainda \u00e9 menor que em pa\u00edses\u00a0desenvolvidos.<\/p>\n<p>Entenda por que esse movimento de concentra\u00e7\u00e3o do setor financeiro ganhou for\u00e7a n\u00e3o apenas no\u00a0Brasil, mas no mundo todo, nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Concentra\u00e7\u00e3o em n\u00edvel recorde<\/strong><\/p>\n<p>Em 17 anos, desde 2000, a concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria no Brasil pulou de 50,4% para 72,4%, segundo\u00a0dados do Banco Central*. Em dezembro de 2016, de todos os bens e recursos das institui\u00e7\u00f5es\u00a0financeiras comerciais, 72,4% estavam nas m\u00e3os dos quatro maiores bancos do pa\u00eds: Banco do\u00a0Brasil, Ita\u00fa Unibanco, Caixa Econ\u00f4mica Federal e Bradesco.<\/p>\n<p>Se forem consideradas apenas as opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito, a participa\u00e7\u00e3o desses quatro grandes \u00e9\u00a0ainda maior: de 78,99%. Eles tamb\u00e9m respondem juntos por 78,5% do total de dinheiro depositado\u00a0nas contas, e s\u00e3o donos de 75 de cada 100 ag\u00eancias espalhadas pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>BC diz que concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;moderada&#8221;\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Para o Banco Central, respons\u00e1vel por autorizar os movimentos de aquisi\u00e7\u00e3o e fus\u00e3o de bancos, o\u00a0n\u00edvel de concentra\u00e7\u00e3o do sistema ainda \u00e9 considerado &#8220;moderado&#8221;, mesmo ap\u00f3s grandes transa\u00e7\u00f5es\u00a0recentes, como a compra do HSBC pelo Bradesco e a aquisi\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es de varejo do\u00a0Citibank no Brasil pelo Ita\u00fa Unibanco.<\/p>\n<p>No mais recente Relat\u00f3rio de Estabilidade Financeira, divulgado em abril, o BC usa um \u00edndice\u00a0internacional, o IHH (\u00cdndice Herfindahl-Hirschman). O IHH \u00e9 usado como refer\u00eancia por \u00f3rg\u00e3os de\u00a0defesa da concorr\u00eancia no mundo todo para avaliar os n\u00edveis de concentra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.\u00a0O IHH do total de recursos do sistema era de 1.450. Em opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito, o n\u00edvel de\u00a0concentra\u00e7\u00e3o era de 1.741. E em dep\u00f3sitos, o IHH estava em 1.711 em dezembro do ano passado.<\/p>\n<p>Valores de IHH entre 0 e 1.000 s\u00e3o considerados de baixa concentra\u00e7\u00e3o. Entre 1.000 e 1.800, de\u00a0moderada concentra\u00e7\u00e3o. E acima de 1.800, de alta concentra\u00e7\u00e3o.\u00a0Com base nesse indicador, o sistema banc\u00e1rio nacional est\u00e1 \u201cdentro do intervalo considerado como\u00a0de moderada concentra\u00e7\u00e3o\u201d, diz o Banco Central.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para FMI, concentra\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 maior que no mundo<\/strong><\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio divulgado pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI)** em 2014 aponta que o movimento\u00a0recente de consolida\u00e7\u00e3o do setor banc\u00e1rio no pa\u00eds levou o Brasil a ficar pr\u00f3ximo dos pa\u00edses com\u00a0maior concentra\u00e7\u00e3o no mundo.<br \/>\nO estudo, que leva em conta a quantidade de recursos controlada pelos tr\u00eas maiores bancos de\u00a0cada pa\u00eds, aponta o Canad\u00e1, a Fran\u00e7a e a Espanha como pa\u00edses de alta concentra\u00e7\u00e3o. Neles, a\u00a0participa\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas bancos l\u00edderes supera 60% dos recursos do setor.<\/p>\n<p>&#8220;O sistema banc\u00e1rio da Espanha se resume praticamente a dois grandes bancos: o Santander e o\u00a0BBVA&#8221;, diz o professor Ricardo Rocha, do Insper.\u00a0A m\u00e9dia mundial de concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, segundo o FMI, \u00e9 de 40%, tanto nas economias\u00a0avan\u00e7adas como em pa\u00edses emergentes. No Brasil, o relat\u00f3rio mostra que a concentra\u00e7\u00e3o de<br \/>\nrecursos dos tr\u00eas maiores saltou de 35%, em 2006, para 55%, em 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Especialistas apontam oligop\u00f3lio e m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Para o professor Ricardo Rocha, do Insper, o n\u00edvel de concentra\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 &#8220;alarmante&#8221;.\u00a0&#8220;Estabeleceu-se quase um oligop\u00f3lio. \u00c9 um mercado sem competi\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo ele, os efeitos s\u00e3o sentidos por consumidores e empresas. &#8220;Esse problema atinge diretamente as pessoas f\u00edsicas e os pequenos empres\u00e1rios. Se voc\u00ea precisa abrir uma conta ou\u00a0pedir um empr\u00e9stimo, n\u00e3o tem muita alternativa. Vai acabar tendo que recorrer a um desses bancos.&#8221;<\/p>\n<p>Com menos concorr\u00eancia, a oferta de cr\u00e9dito, de produtos e servi\u00e7os \u00e9 menor, e as taxas tendem a\u00a0ser mais altas, diz Rocha. &#8220;Estamos em um momento de retomada da economia. Se houvesse o\u00a0dobro de bancos, certamente esse processo seria mais r\u00e1pido. Como n\u00e3o h\u00e1 concorr\u00eancia, um\u00a0banco fica observando o que outro vai fazer e o cr\u00e9dito n\u00e3o deslancha. Num mercado concentrado, \u00e9\u00a0mais f\u00e1cil voc\u00ea controlar os passos do seu concorrente.&#8221;<\/p>\n<p>Para o professor Marcio Pochmann, da Unicamp, as dimens\u00f5es continentais do Brasil e as grandes\u00a0diferen\u00e7as regionais justificariam um sistema banc\u00e1rio descentralizado, como acontece nos Estados\u00a0Unidos. &#8220;Os bancos s\u00e3o o meio para o desenvolvimento de um pa\u00eds. O ideal seria que tiv\u00e9ssemos\u00a0mais bancos estaduais e municipais, voltados para as necessidades de suas regi\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>A predomin\u00e2ncia de bancos com cobertura nacional acaba privilegiando as regi\u00f5es mais ricas do\u00a0pa\u00eds, que s\u00e3o mais rent\u00e1veis para as institui\u00e7\u00f5es. &#8220;Voc\u00ea acaba tendo um deslocamento da poupan\u00e7a\u00a0nacional. As regi\u00f5es mais pobres recebem pouco investimento porque o cr\u00e9dito para as empresas\u00a0nessas \u00e1reas fica mais caro e dif\u00edcil de obter&#8221;, diz Pochmann.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Concentra\u00e7\u00e3o come\u00e7ou na crise de 1929<\/strong><\/p>\n<p>O movimento de concentra\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 exclusividade do Brasil, nem \u00e9 um fen\u00f4meno recente.\u00a0Segundo o professor Lu\u00eds Braido, da Escola Brasileira de Economia e Finan\u00e7as (FGV\/EPGE), ela\u00a0vem ocorrendo no mundo, com momentos de maior ou menor intensidade, desde a crise financeira\u00a0de 1929.<\/p>\n<p>&#8220;Sistemas concentrados s\u00e3o mais seguros. S\u00e3o mais f\u00e1ceis para o governo controlar e fiscalizar. Em\u00a0momentos de crise, voc\u00ea consegue saber mais rapidamente a situa\u00e7\u00e3o real de cada banco, quem\u00a0deve para quem&#8221;, afirma Braido.<\/p>\n<p>Ele lembra que bancos menores normalmente despertam maior desconfian\u00e7a dos clientes sobre o\u00a0risco de quebra. Por isso, essas institui\u00e7\u00f5es tendem a sofrer mais diante de uma corrida para sacar\u00a0dinheiro. &#8220;Em 1929, voc\u00ea tinha uma estrutura muito pulverizada nos Estados Unidos, com muitos\u00a0bancos de atua\u00e7\u00e3o municipal ou regional, que acabaram n\u00e3o resistindo aos saques em massa.&#8221;<\/p>\n<p>A \u00faltima grande onda de consolida\u00e7\u00e3o do setor financeiro mundial ocorreu durante a crise global\u00a0de 2008, com a quebra do Lehman Brothers, o quarto maior banco dos EUA na \u00e9poca. O governo\u00a0americano foi obrigado a socorrer outras institui\u00e7\u00f5es consideradas &#8220;grandes demais para quebrar&#8221;,\u00a0al\u00e9m de estimular fus\u00f5es, para evitar uma crise ainda maior, diz o professor. Outros pa\u00edses,\u00a0principalmente na Europa, tamb\u00e9m tiveram que injetar dinheiro nos seus sistemas banc\u00e1rios para\u00a0evitar que a crise se espalhasse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Legisla\u00e7\u00e3o r\u00edgida dificulta abertura de bancos menores<\/strong><\/p>\n<p>As diversas crises financeiras registradas ao longo da hist\u00f3ria levaram os governos a endurecer as\u00a0regras e intensificar a fiscaliza\u00e7\u00e3o dos bancos para evitar quebras generalizadas. Uma das regras\u00a0mais conhecidas \u00e9 o Acordo da Basileia, um conjunto de medidas que exige que as institui\u00e7\u00f5es\u00a0tenham reservas m\u00ednimas de capital dinheiro para fazer frente ao volume de empr\u00e9stimos. O\u00a0primeiro acordo foi firmado em 1988 na cidade de Basileia, Su\u00ed\u00e7a. Outras duas vers\u00f5es\u00a0complementares do acordo foram feitas em 2004 (Basileia II) e 2008 (Basileia III).<\/p>\n<p>Todo banco \u00e9 obrigado a seguir o Acordo de Basileia, bem como todas as regras determinadas pelo\u00a0Banco Central. Para isso, a institui\u00e7\u00e3o precisa manter r\u00edgidos sistemas de controle interno e gest\u00e3o\u00a0de risco, al\u00e9m equipes dedicadas exclusivamente a fazer auditorias frequentes para conferir se todas\u00a0as regras est\u00e3o sendo cumpridas.<\/p>\n<p>Manter toda essa estrutura \u00e9 caro, o que acaba representando uma barreira para abertura de\u00a0bancos menores, afirma o professor Ricardo Rocha, do Insper. &#8220;\u00c9 o que o chamamos de Custo de\u00a0Observ\u00e2ncia. Esse custo tem aumentado nos \u00faltimos anos porque as normas est\u00e3o cada vez mais\u00a0r\u00edgidas para garantir a estabilidade do sistema.&#8221;<\/p>\n<p>O professor Lu\u00eds Braido, da FGV\/EPGE, diz que o Custo de Observ\u00e2ncia \u00e9 uma das raz\u00f5es que\u00a0explicam a tend\u00eancia mundial de consolida\u00e7\u00e3o do setor banc\u00e1rio. &#8220;Est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil para os\u00a0bancos pequenos arcarem com esses custos e ainda se manterem rent\u00e1veis.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito depende de recursos p\u00fablicos<\/strong><\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o aumenta o n\u00edvel de seguran\u00e7a do sistema banc\u00e1rio porque minimiza principalmente o\u00a0risco de pequenas institui\u00e7\u00f5es quebrarem em momentos de crise ou de grande desconfian\u00e7a no\u00a0mercado. Por outro lado, uma menor quantidade de bancos restringe as op\u00e7\u00f5es para empresas e\u00a0pessoas conseguirem empr\u00e9stimos para consumir ou investir na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil passou do ponto. Temos um sistema muito seguro, mas sem oferta de cr\u00e9dito adequada\u00a0para viabilizar o crescimento econ\u00f4mico&#8221;, afirma o professor Lu\u00eds Braido, da FGV\/EPGE.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 bancos privados oferecendo cr\u00e9dito pr\u00f3prio em larga escala. A participa\u00e7\u00e3o deles \u00e9 limitada\u00a0praticamente ao repasse de recursos p\u00fablicos do BNDES, do FAT [Fundo de Amparo ao\u00a0Trabalhador] ou do FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o]. Apenas os bancos p\u00fablicos\u00a0possuem cr\u00e9dito direcionado. O Banco do Brasil domina sozinho o agroneg\u00f3cio. A Caixa responde<br \/>\npor quase 80% do cr\u00e9dito habitacional, com uma pequena competi\u00e7\u00e3o dos privados nesse\u00a0segmento.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para Febraban, concentra\u00e7\u00e3o segue tend\u00eancia internacional<\/strong><\/p>\n<p>A Federa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Bancos (Febraban) afirma que o aumento da concentra\u00e7\u00e3o no Brasil foi\u00a0reflexo do endurecimento das regras do setor ap\u00f3s a crise de 2008 e tamb\u00e9m do intenso processo\u00a0de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es provocado pela crise, que atingiu principalmente os Estados Unidos e a\u00a0Europa, com bancos saud\u00e1veis absorvendo institui\u00e7\u00f5es problem\u00e1ticas, com apoio dos governos\u00a0locais.<\/p>\n<p>\u201cDiante do forte aumento regulat\u00f3rio, os bancos passaram a rever suas opera\u00e7\u00f5es em outros pa\u00edses\u00a0e a concentrar suas atividades nas \u00e1reas mais lucrativas e representativas, para preservar o capital\u00a0e a rentabilidade, o que gerou um aumento da concentra\u00e7\u00e3o ao redor do mundo, \u00e0 medida que suas\u00a0unidades foram adquiridas por bancos locais ou regionais. Vimos isso claramente ocorrer na Am\u00e9rica\u00a0Latina\u201d, diz a Febraban.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da Febraban, fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es favorecem o crescimento dos bancos, a\u00a0diversifica\u00e7\u00e3o de produtos ou servi\u00e7os, o aprimoramento das fun\u00e7\u00f5es administrativas, melhora da\u00a0tecnologia, e ganhos de escala. A consolida\u00e7\u00e3o de mercado tamb\u00e9m representa prote\u00e7\u00e3o contra\u00a0aquisi\u00e7\u00e3o por outra institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A entidade tamb\u00e9m cita o estudo \u201cGlobal Financial Stability Report\u201d (Relat\u00f3rio de Estabilidade\u00a0Financeira Global) feito pelo FMI em 2014. Embora o setor tenha sofrido intensa consolida\u00e7\u00e3o no\u00a0Brasil nos \u00faltimos anos, o n\u00edvel de concentra\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas maiores bancos do pa\u00eds ainda \u00e9 inferior ao\u00a0de pa\u00edses desenvolvidos, como Reino, Unido, Jap\u00e3o, Fran\u00e7a e Espanha, segundo o FMI. \u201cMesmo<br \/>\nusando outros crit\u00e9rios de concentra\u00e7\u00e3o, dos quatro ou cinco maiores bancos, vemos que o mercado\u00a0brasileiro possui concentra\u00e7\u00e3o proporcionalmente semelhante \u00e0s de Austr\u00e1lia e Canad\u00e1\u201d, afirma a\u00a0Febraban.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Primeiro banco do Brasil quebrou em 20 anos<\/strong><\/p>\n<p>A Hist\u00f3ria revela que a primeira institui\u00e7\u00e3o financeira do pa\u00eds, o Banco do Brasil, foi inaugurada em\u00a01808 por Dom Jo\u00e3o 6\u00ba. A ideia era movimentar a economia da ent\u00e3o col\u00f4nia portuguesa. Sem\u00a0fiscaliza\u00e7\u00e3o, logo o banco teve sua finalidade desvirtuada e acabou servindo para financiar os\u00a0gastos da nobreza no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O banco quebrou 20 anos depois de sua funda\u00e7\u00e3o. Em 1829, o imperador Dom Pedro 1\u00ba foi obrigado\u00a0a fechar o Banco do Brasil depois que diretores da institui\u00e7\u00e3o fugiram para a Inglaterra com grande\u00a0parte do dinheiro. O Banco do Brasil que conhecemos hoje foi fundado apenas em 1905.<\/p>\n<p>Os detalhes dessa e de outras hist\u00f3rias de falcatruas envolvendo bancos brasileiros s\u00e3o contados\u00a0no livro &#8220;Dinheiro Podre \u2013 A Hist\u00f3ria das Fraudes nas Institui\u00e7\u00f5es Financeiras do Brasil&#8221; (Editora<br \/>\nMatrix), escrito pelo engenheiro Carlos Coradi e pelo advogado Douglas Mondo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Plano real e privatiza\u00e7\u00f5es enxugaram setor na d\u00e9cada de 90<\/strong><\/p>\n<p>Existem hoje pouco mais de 150 institui\u00e7\u00f5es financeiras autorizadas pelo Banco Central a atuar no\u00a0pa\u00eds. Na d\u00e9cada de 1960, o n\u00famero de bancos era o dobro. A quantidade caiu principalmente ao\u00a0longo dos anos 1990, com a quebra de diversos bancos ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do Plano Real e o movimento\u00a0de privatiza\u00e7\u00e3o dos bancos estaduais.<\/p>\n<p>Nos anos 1980 e in\u00edcio dos 1990, muitos bancos viviam basicamente de ganhos financeiros\u00a0decorrentes da hiperinfla\u00e7\u00e3o, investindo no chamado &#8220;Overnight&#8221; o dinheiro que os correntistas\u00a0deixavam parado nas contas de um dia para o outro. Esse tipo de aplica\u00e7\u00e3o chegou a render 2% ao\u00a0dia.<\/p>\n<p>Com a estabilidade econ\u00f4mica gerada pelo Plano Real, os bancos foram obrigados a buscar outras\u00a0fontes de recursos, como as tarifas de servi\u00e7os, a melhorar sua efici\u00eancia e tamb\u00e9m oferecer\u00a0empr\u00e9stimos com margens de ganho maiores. Mas muitas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguiram se adaptar \u00e0\u00a0nova realidade do pa\u00eds. Diversos casos de fraudes tamb\u00e9m foram descobertas nessa \u00e9poca, como a\u00a0do Banco Econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>O governo injetou cerca de R$ 16 bilh\u00f5es em valores da \u00e9poca para salvar os bancos mais\u00a0importantes e evitar o colapso do sistema. Por meio do Programa de Est\u00edmulo \u00e0 Reestrutura\u00e7\u00e3o e ao\u00a0Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional, o Proer, o governo saneou as institui\u00e7\u00f5es e\u00a0estimulou a venda dos ativos para outros bancos.<\/p>\n<p>Entre os bancos mais conhecidos na \u00e9poca, o Nacional, que tinha o piloto Ayrton Senna como\u00a0garoto-propaganda, terminou nas m\u00e3os do Unibanco, em 1995, e o Bamerindus foi vendido para o\u00a0HSBC, em 1997.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Bancos estrangeiros erraram a m\u00e3o e foram embora<\/strong><\/p>\n<p>Muitas institui\u00e7\u00f5es estrangeiras tentaram se estabelecer aqui, mas n\u00e3o resistiram \u00e0s peculiaridades\u00a0do sistema banc\u00e1rio brasileiro e acabaram deixando o pa\u00eds. Os casos mais recentes s\u00e3o do HSBC,\u00a0que vendeu sua filial brasileira para o Bradesco, e do Citibank, que transferiu a \u00e1rea de banco de\u00a0varejo no pa\u00eds para o Ita\u00fa Unibanco.<\/p>\n<p>Para os especialistas, a sa\u00edda de bancos estrangeiros pode ser explicada por uma combina\u00e7\u00e3o entre\u00a0erro de estrat\u00e9gia de atua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds com mudan\u00e7as de planos em escala global, muitas vezes para\u00a0privilegiar pa\u00edses com maior potencial de crescimento do que o Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Citi e HSBC sempre foram bancos de perfil elitista no Brasil. Atuavam para um p\u00fablico classe A, em\u00a0grandes cidades. N\u00e3o \u00e9 uma clientela ruim. O problema \u00e9 que eles tinham que enfrentar a\u00a0concorr\u00eancia dos bancos nacionais nesse segmento, que \u00e9 um dos mais disputados do mercado&#8221;,\u00a0afirma o professor Lu\u00eds Braido, da FGV\/EPGE.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fintechs, concorr\u00eancia ainda t\u00edmida a grandes bancos<\/strong><\/p>\n<p>As pessoas que buscam alternativas aos servi\u00e7os dos grandes bancos podem recorrer \u00e0s chamadas\u00a0fintechs, empresas de tecnologia que oferecem produtos banc\u00e1rios, como cart\u00f5es de cr\u00e9dito,\u00a0empr\u00e9stimos e contas totalmente digitais.<\/p>\n<p>&#8220;As fintechs ainda s\u00e3o uma novidade e possivelmente representar\u00e3o um novo horizonte para o setor\u00a0banc\u00e1rio daqui a algum tempo&#8221;, diz o professor Marcio Pochmann, da Unicamp. &#8220;Elas est\u00e3o se\u00a0especializando em \u00e1reas em que os bancos n\u00e3o t\u00eam atendido \u00e0 demanda adequadamente e\u00a0provavelmente provocar\u00e3o uma adapta\u00e7\u00e3o de todo o sistema.&#8221;<\/p>\n<p>Por exemplo, o Banco Neon, uma das fintechs mais conhecidas, \u00e9 apenas a 84\u00aa maior institui\u00e7\u00e3o\u00a0financeira do pa\u00eds, segundo o ranking do Banco Central.<\/p>\n<p>O professor Ricardo Rocha, do Insper, afirma que as fintechs ainda s\u00e3o pouco representativas\u00a0dentro do universo banc\u00e1rio brasileiro. &#8220;Elas ainda n\u00e3o s\u00e3o um fator de oposi\u00e7\u00e3o aos bancos\u00a0tradicionais. Mas representam um passo interessante. \u00c9 preciso observar como ser\u00e1 a evolu\u00e7\u00e3o\u00a0delas nos pr\u00f3ximos anos.&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: OUL Economia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>5 institui\u00e7\u00f5es det\u00eam 4 de cada 5 reais movimentados, e isso \u00e9\u00a0ruim para clientes, dizem analistas. 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